Biodiversidade mapeada via Google Maps
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Tudo Pela Natureza
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Por Gustavo Bonfiglioli – Especial para o Planeta
O Biomapas é um projeto online de mapeamento interativo da biodiversidade brasileira pelo Google Maps, parceria da Petrobrás com o Google. Na sexta-feira, será inaugurada a segunda etapa do site, que inclui um mapa da fauna marinha na costa brasileira, com 16 espécies de golfinhos, baleias, botos e tartarugas, distribuídas em 100 pontos que marcam expedições marinhas onde as espécies foram identificadas. Os marcadores linkam a fotos, vídeos e textos explicativos.
Com proposta educativa, o Biomapas foi ideia do Centro de Pesquisa da Petrobrás, que procurava uma maneira de aproveitar a base de dados resultante das expedições florestais e marinhas realizadas pela companhia para monitoramento ambiental.
“O Google nos procurou perguntando se havia algo que poderia render uma parceria. O Centro de Pesquisa avaliou que seria uma boa oportunidade para aproveitar os dados”, explica Rodrigo Freire, do Núcleo de Comunicação Digital da Petrobrás.
Em abril de 2010, foi inaugurado o primeiro mapa interativo, com espécies da fauna e flora da região petrolífera de Urucu, no município de Coari (AM), na floresta amazônica. Na região foi construído um gasoduto para escoar a produção de gás natural para Manaus, inaugurado em 2009 e que custou R$ 4,5 bilhões, considerado uma obra de alto passivo ambiental. Com base no monitoramento de impactos ao meio ambiente do empreendimento, é levantada a base de dados.
Da mesma forma, o mapeamento da biodiversidade marinha de toda a costa brasileira foi colocado nas imagens de satélite públicas do Google Maps. A perspectiva para as próximas ampliações do projeto a curto-prazo, segundo Freire, é colocar novas espécies da fauna marinha, já que só foram contemplados golfinhos, baleias, botos e tartarugas. “Ficou faltando falar dos peixes mais recorrentes na costa brasileira, além de outros animais”, explica.
Para essa nova etapa do projeto, também envolveram-se instituições parceiras como a Fiocruz, a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (FIOTEC), a Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca – ENSP, o projeto Tamare o Instituto Baleia Jubarte.
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O Biomapas é um projeto online de mapeamento interativo da biodiversidade brasileira pelo Google Maps, parceria da Petrobrás com o Google. Na sexta-feira, será inaugurada a segunda etapa do site, que inclui um mapa da fauna marinha na costa brasileira, com 16 espécies de golfinhos, baleias, botos e tartarugas, distribuídas em 100 pontos que marcam expedições marinhas onde as espécies foram identificadas. Os marcadores linkam a fotos, vídeos e textos explicativos.
Com proposta educativa, o Biomapas foi ideia do Centro de Pesquisa da Petrobrás, que procurava uma maneira de aproveitar a base de dados resultante das expedições florestais e marinhas realizadas pela companhia para monitoramento ambiental.
“O Google nos procurou perguntando se havia algo que poderia render uma parceria. O Centro de Pesquisa avaliou que seria uma boa oportunidade para aproveitar os dados”, explica Rodrigo Freire, do Núcleo de Comunicação Digital da Petrobrás.
Em abril de 2010, foi inaugurado o primeiro mapa interativo, com espécies da fauna e flora da região petrolífera de Urucu, no município de Coari (AM), na floresta amazônica. Na região foi construído um gasoduto para escoar a produção de gás natural para Manaus, inaugurado em 2009 e que custou R$ 4,5 bilhões, considerado uma obra de alto passivo ambiental. Com base no monitoramento de impactos ao meio ambiente do empreendimento, é levantada a base de dados.
Da mesma forma, o mapeamento da biodiversidade marinha de toda a costa brasileira foi colocado nas imagens de satélite públicas do Google Maps. A perspectiva para as próximas ampliações do projeto a curto-prazo, segundo Freire, é colocar novas espécies da fauna marinha, já que só foram contemplados golfinhos, baleias, botos e tartarugas. “Ficou faltando falar dos peixes mais recorrentes na costa brasileira, além de outros animais”, explica.
Para essa nova etapa do projeto, também envolveram-se instituições parceiras como a Fiocruz, a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (FIOTEC), a Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca – ENSP, o projeto Tamare o Instituto Baleia Jubarte.
Buraco da camada de ozônio sobre a Antártida é o menor em 5 anos
Abertura ocupa área de 22 milhões de km²; impacto diminuiu após proibição de produtos nocivos.
SYDNEY - O buraco da camada de ozônio sobre a Antártida se reduziu ao seu menor tamanho nos últimos cinco anos, indicou nesta sexta-feira, 3, o Instituto Nacional de Água e Pesquisa Atmosférica da Nova Zelândia.
Os cientistas calculam que o tamanho do buraco é de 22 milhões de km², dois milhões menos que em 2009. A maior área foi registrada em 2000: 29 milhões de km².O deficit da massa de ozônio também se reduziu, a 27 milhões de toneladas, sensível melhora se comparado com as 35 milhões de toneladas de 2009 e as 43 milhões de 2000.
"Podemos dizer que o buraco na camada de ozônio está melhorando, de acordo com as observações deste ano", disse o cientista Stephen Wood, que apontou que as iniciativas internacionais como o Protocolo de Montreal, de 1987, estão dando resultados.
O impacto sobre a camada de ozônio, que protege a Terra das radiações ultravioleta, diminuiu após a proibição de produtos como o clorofluorcarbono (CFC), usado em refrigeradores e aerossóis, desde o acordo de Montreal.
Nanotecnologia aumenta sucesso de transplante
Resultado em coelhos aponta estratégia promissora, também eficaz contra aterosclerose; Incor pretende começar testes em humanos.
Pesquisadores do Instituto do Coração (Incor-USP) pretendem lançar mão da nanotecnologia para aumentar os índices de sucesso em transplantes cardíacos e no tratamento de aterosclerose.
Em testes com coelhos, os cientistas conseguiram diminuir em 50% as complicações - semelhantes a aterosclerose - que costumam afetar transplantados. Também reduziram em 60% as lesões nas artérias dos coelhos causadas por uma dieta rica em colesterol.Segundo Noedir Stolf, presidente do Incor, os testes clínicos em transplantados podem começar em breve. "Primeiro, vamos experimentar a abordagem em pacientes que já apresentaram algum tipo de complicação depois do procedimento", afirma Stolf. "Mas creio que a estratégia será interessante como forma de prevenção das complicações."
Os testes para tratar aterosclerose também estão prestes a começar, aponta Raul Cavalcante Maranhão, que apresentou vários resultados da pesquisa durante a 25.ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), no fim de agosto.
Câncer. Maranhão começou a pesquisar nanopartículas em 1987. "Naquela época, ainda nem existia o nome", recorda. Ele queria criar partículas sintéticas de LDL - vulgarmente conhecido como mau colesterol e associado a enfartes e AVCs. A síntese em laboratório pouparia o trabalho de extrair a LDL natural. A princípio, as nanopartículas só seriam usadas em pesquisas. Com o tempo, revelaram papéis muito mais promissores.
Maranhão percebeu que, ao injetar as nanopartículas de LDL em coelhos com câncer, o tumor absorvia-as com avidez. Havia uma explicação: células cancerosas necessitam de lipídeos para crescer e se multiplicar. Por isso, elas aumentam na membrana a concentração de receptores que trazem para dentro da célula as partículas de LDL.
Naturalmente surgiu a ideia de associar quimioterápicos às nanopartículas. Assim, um medicamento que seria dispersado para todo o corpo pode ser entregue com precisão no tumor. "Diminuímos muito a toxicidade, mantendo, no mínimo, uma idêntica eficácia", diz Maranhão. Com o tempo, os pesquisadores decidiram usar as mesmas nanopartículas para tratar aterosclerose. Maranhão percebeu que elas também se acumulavam nas regiões das artérias onde surgiam lesões características da doença.
A aterosclerose é fruto de um processo inflamatório dos vasos sanguíneos. O tratamento normalmente se reduz à desobstrução de artérias entupidas ou à administração de medicamentos que controlam variáveis associadas ao risco vascular, como a pressão e o colesterol.
Nanopartículas de LDL com o quimioterápico paclitaxel reduziram em até 60% as lesões ateroscleróticas em coelhos. O paclitaxel é, antes de mais nada, uma droga antiproliferativa. Nas inflamações que acompanham a aterosclerose é comum ocorrer a proliferação de macrófagos e do tecido muscular que reveste as artérias. O medicamento carregado pelas nanopartículas corrige os danos da inflamação.
"A doença coronária do transplante cardíaco é "parente" da aterosclerose clássica", explica Stolf. Nas duas situações, surgem placas que podem obstruir os vasos. As semelhanças motivaram o diretor do Incor a testar as nanopartículas com quimioterápicos em um esforço para melhorar a sobrevida depois dos transplantes. Cerca de 10% dos transplantados apresentam algum tipo de alteração na coronária um ano depois do procedimento. Cinco anos depois, o porcentual sobe para 50%. Um quarto das pessoas que se submetem à cirurgia desenvolve lesões ateroscleróticas graves.
"É a principal complicação que limita a sobrevida tardia do doente (período que começa um ano depois do transplante)", afirma Stolf. Em coelhos, as alterações na coronária diminuíram 50% com a nanotecnologia. "Agora, vamos associar também (a droga) metotrexate. A eficácia deve ser ainda maior", considera o diretor do Incor.
Ele acredita que, no futuro, será possível associar as nanopartículas de LDL a imunossupressores que evitam a rejeição do transplante, mas possuem vários efeitos adversos. "Desta forma, a toxicidade diminuirá muito", aponta o pesquisador.
Cientistas criam novo material capaz de resistir a altas temperaturas
Feito totalmente de carbono, ele pode fluir e esticar lentamente.
Pesquisadores do Japão inventaram um novo material que é capaz de suportar temperaturas extremas e que, esperam seus criadores, poderá ser usado nos motores de carros e naves espaciais.
Feito totalmente de carbono, ele pode fluir e esticar lentamente, como mel grosso, e retorna à forma original, disse a cientista de materiais Xu Ming, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada do Japão."Ele parece uma esponja metálica porosa, é feito de trilhões de nanotubos", disse ela. "Quando você o estica e solta, ele retorna devagar (à forma original)".
Uma descrição da invenção aparece na edição desta semana da revista Science.
Os tubos de carbono, com 5 nanômetros de diâmetro, crescem numa mistura de silício, ferro e água, e são capazes de manter forma e função numa gama de temperaturas que vai de -196º C a 1.000º C, num ambiente sem oxigênio.
Cientistas analisam tipos de alga que teriam um bilhão de anos
Para especialistas, descoberta pode mudar radicalmente teorias sobre origem das plantas verdes atuais.
Cientistas que estudavam duas espécies de algas que crescem em regiões profundas dos oceanos concluíram que elas podem ter surgido a cerca de um bilhão de anos e seriam verdadeiros "fósseis vivos".
A descoberta, feita por uma equipe de pesquisadores nos Estados Unidos e da Bélgica, pode transformar as teorias sobre quais plantas seriam as precursoras de todas as plantas verdes existentes hoje. Os estudiosos recolheram amostras de algas que já eram conhecidas e pertenciam a dois gêneros, Palmophyllum e Verdigellas.
Elas foram encontradas a cerca de 200 metros no fundo do mar e, segundo os estudiosos, possuem pigmentos especiais que permitem aproveitar a luz que chega a essa profundidade para fazer a fotossíntese.
Os cientistas foram os primeiros a analisar o genoma dos dois organismos. E foi esta análise que revelou a impressionante origem dessas algas.
As conclusões da equipe foram publicadas na revista científica Journal of Phycology.
Diferentes
As plantas verdes até hoje foram classificadas em dois grandes grupos, ou clados - grupos de espécies com um ancestral comum.
Um deles inclui todas as plantas terrestres e as algas verdes com estruturas mais complexas, conhecidas como carófitas. O outro clado, o das clorófitas, abrange todas as algas verdes restantes.
A maioria dos estudos feitos anteriormente tentou determinar quais plantas antigas deram origem às carófitas, mas houve poucas pesquisas sobre a origem das outras algas verdes.
O cientista Frederick Zechman, da California State University, em Fresno, e sua equipe coletaram e estudaram amostras de Palmophyllum encontradas na região da Nova Zelândia (Oceano Pacífico), e Verdigellas da região oeste do Atlântico.
Elas são bastante peculiares, porque embora sejam multicelulares, cada uma de suas células não parece interagir com as outras de forma significativa.
Cada célula está acomodada sobre uma base gelatinosa que pode dar origem a formas complexas, como caules.
Os cientistas analisaram o DNA nas células das algas e concluíram que, em vez de pertencer ao clado das clorófitas, as duas espécies pertenceriam, na verdade, a um grupo novo e distinto de plantas verdes, que é incrivelmente antigo.
Algas analisadas têm estrutura celular diferente de outras
Os cientistas acham que elas são tão diferentes, que deveriam ser classificadas em uma ordem própria.
"Ao compararmos essas sequências genéticas aos mesmos genes em outras plantas verdes, descobrimos que essas algas verdes estão entre as primeiras plantas verdes divergentes, ou seriam talvez a primeira linhagem divergente de plantas verdes", disse Zechman à BBC.
Se este for o caso, segundo o cientista, essas algas poderiam ter surgido há um bilhão de anos.
Progenitoras das Plantas
Para ele, a descoberta poderia "transformar" nossa visão sobre que planta verde foi o ancestral de todas as que existem hoje.
Até o presente, os cientistas acreditavam que a progenitora das plantas verdes seria uma planta unicelular com uma estrutura em forma de cauda chamada flagelo, que permitia que a planta se movesse na água.
Mas a equipe de Zechman não encontrou flagelos nas algas observadas, o que pode ser uma indicação de que as plantas verdes mais antigas do planeta podem não ter tido flagelos.
Zechman disse que as algas estudadas por sua equipe podem ser qualificadas como "fósseis vivos", embora não se tenha conhecimento da existência de fósseis reais dessas algas.
Sua habilidade de utilizar luz de intensidade baixa permite que cresçam em águas profundas - o que pode ser a chave de sua impressionante longevidade.
Em profundezas como essas, as plantas sofrem menos perturbações provocadas por ondas, variações de temperatura e por predadores herbívoros que poderiam se alimentar delas.
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O desafio de inovar e ser verde
Nenhum país até hoje ficou rico sem desmatar |
SÃO PAULO - O sonho se transformou em realidade. O Brasil virou uma grande potência agroindustrial, o país que mais pode contribuir para suprir a crescente demanda mundial por alimentos, bicombustíveis e produtos químicos renováveis.
Inovação e empreendedorismo foram os ingredientes do sucesso. Enquanto centros de pesquisa inovavam, agricultores transformavam inovação em riqueza. A agricultura migrou do Paraná para o cerrado, a pinga se transformou em etanol, que, transformado em polietileno, pode ser encontrado nas embalagens de refrigerantes.
O Brasil se tornou grande exportador de soja, açúcar, carne e suco de laranja — e muitos outros produtos se somarão à lista. Mas o sucesso não esconde os problemas a ser enfrentados.
O maior será equilibrar crescimento econômico e preservação do meio ambiente. Que fração do cerrado cobriremos com soja? Quantas hidrelétricas serão construídas na Amazônia? Quantos portos pipocarão ao longo da costa? Seremos capazes de conciliar o justo anseio de prosperidade com a necessária preservação dos ecossistemas?
Talvez o desafio mais agudo seja regular a expansão da agropecuária. Até hoje nenhuma sociedade foi capaz de conciliar a expansão de uma agricultura competitiva com a preservação ambiental. Na Europa, grande parte das florestas originais foi destruída.
Na América do Norte, quase toda a área agricultável já é explorada. A biodiversidade dessas regiões foi destruída num período em que ninguém pensava em políticas de preservação. O dilema e o ônus moral de conciliar conservação e produção de alimentos foram relegados a países capazes de produzir alimentos de forma competitiva.
Europeus e americanos não lidam com o problema de ter uma Amazônia pressionada por uma fronteira agrícola em constante movimento. Mas nós temos. Nossa agricultura está se expandindo durante o período histórico em que o homem descobriu a necessidade de preservar o meio ambiente.
Na procura do equilíbrio, teremos de abandonar duas visões igualmente radicais. A primeira é a que nega o problema ambiental, por preconceito ou esperteza. Muitos defendem, abertamente ou não, que a questão da preservação é secundária diante da oportunidade de progresso gerada pela crescente demanda internacional por nossos produtos.
O meio ambiente, nessa lógica, pode esperar. No polo radical oposto, temos a defesa romântica da natureza, buscando um passado que não existe mais.
Talvez o melhor exemplo dessa tensão seja a atual discussão em torno do Código Florestal, legislação que regula a expansão agropecuária. A lei é um dos pilares da preservação dos ecossistemas terrestres, pois regulamenta a fração e a localização da vegetação nativa que pode ser removida e substituída
pela agropecuária. Regula a ocupação do território, excluindo apenas parques nacionais, reservas indígenas e outras áreas protegidas. A versão original, de 1965, foi alterada diversas vezes. Uma nova versão está no Congresso e deve ser votada nos próximos meses.
Alguns ambientalistas tentam preservar a versão atual, que jamais foi cumprida, provocou o acúmulo de um enorme passivo ambiental e, pior, não protegeu a vegetação nativa ao longo das últimas quatro décadas. Parte do setor agroindustrial apoia o substitutivo que, na sua forma atual, tornará precária a possibilidade de preservação da vegetação nativa. Vale a pena entender um pouco as entranhas da lei.
Tanto na versão atual como no substitutivo existem duas classes de áreas que devem ser preservadas. A primeira são as áreas de proteção permanente (APPs), defi nidas pela geografi a de cada propriedade. São os corredores ao longo de rios, córregos e nascentes, áreas com alto declive e topos de morros. A segunda são as reservas legais, que independem da geografi a de cada propriedade e representam sempre uma fração fi xa da área. As reservas legais visam garantir que parte do ecossistema original seja preservada. A porcentagem da área a ser mantida como reserva legal é de 20% no sul do Brasil, chegando a 80% na Amazônia. A principal crítica ao sistema de reservas legais é que não existe um incentivo para o agrupamento das reservas em grandes blocos. É consenso entre ecologistas que a preservação da biodiversidade é mais efi ciente quanto mais extenso e contínuo for o bloco preservado. Em municípios onde predominam pequenas propriedades, as áreas de reserva legal (quando existem) constituem um salpicado de quadradinhos desconectados que pouco contribuem para a preservação do ecossistema original.
Reconstituição de matas
O princípio da lei parece correto. A separação das áreas em duas classes é uma inovação brasileira. Infelizmente, ao longo dos anos as diversas mudanças na lei, sua regulamentação desastrosa ou mal intencionada e a falta de fiscalização geraram um enorme défi cit de áreas de proteção e reservas legais. Para que as propriedades atuais se enquadrem na lei, grandes áreas produtivas teriam de ser restauradas ao seu estado original de vegetação.
Foi somente nos últimos anos que pesquisadores, utilizando dados de satélites, mapas de bacias hidrográfi cas, relevo e dados sobre a situação fundiária de cada município, conseguiram calcular o verdadeiro tamanho do déficit. Se uma propriedade deveria ter preservado 100 hectares de reserva legal e preservou somente 70 hectares, o défi cit é de 30 hectares. Um grupo de pesquisa da Embrapa, liderado por Gerd Sparovek, mapeou o problema em todo o país. Um bom exemplo é o bioma Mata Atlântica, que hoje só pode ser observado na Serra do Mar, mas cobria grande parte das áreas agrícolas de São Paulo e Paraná, quase 13% da área total.
do país. A área original do bioma foi estimada em 112 milhões de hectares. Hoje restam apenas 31 milhões de hectares de vegetação nativa. Os restantes 80 milhões estão ocupados por atividades agropecuárias. Só na Mata Atlântica, se aplicada a lei atual, há um déficit de APPs e reservas legais de 25 milhões de hectares. Áreas que deveriam ter sido preservadas, mas que, ao longo do tempo, foram incorporadas à produção agrícola. Para que a lei atual seja cumprida, as matas dessa área deveriam ser reconstituídas — uma área maior que a do estado do Ceará. Sparovek calculou que no Brasil o défi cit total de APPs é de 43 milhões de hectares, e o de reservas legais, 42 milhões. É o equivalente a quase duas vezes a área da Alemanha. Se essas estimativas estiverem corretas, por mais que desejem alguns ambientalistas, o défi cit jamais será sanado por meio do replantio de vegetação nativa.
Hora de decidir
Se a lei atual não tem conseguido equilibrar crescimento e preservação, a proposta ora em discussão no Congresso, de autoria do deputado Aldo Rebelo, também tem problemas, como a permissão de desmate para pequenas propriedades e a suspensão das autuações e multas por cinco anos. Ambas incentivam o desmatamento. Por outro lado, o substitutivo contém algumas boas ideias.
A principal é o conceito de compensação. Rebelo quer permitir que os défi cits de reserva legal sejam compensados por meio da proteção de áreas nativas distantes da propriedade original. Um proprietário que tenha acumulado um déficit de 100 hectares em sua propriedade poderia comprar ou alugar 100 hectares de florestas nativas e registrar esse bloco como sendo a reserva legal de sua propriedade.
A área não seria derrubada, mas poderia ser transmitida entre propriedades produtivas, criando um mercado para áreas com vegetação nativa. Imagine a consequência dessa medida na Mata Atlântica. Para cobrir o déficit de 9 milhões de hectares de reservas legais, as propriedades produtivas teriam a obrigação de comprar ou alugar o correspondente entre os 29 milhões de áreas com vegetação natural que ainda existem fora das reservas e terras indígenas. As propriedades agrícolas seriam responsáveis pela manutenção dessas matas para sempre.
O resultado seria a transferência de 9 milhões de hectares do conjunto de áreas passíveis de desmate para o pool de áreas preservadas permanentemente.
O que falta no substitutivo são mecanismos de incentivo econômico para que as reservas legais se agrupem em grandes áreas contíguas, o que ajudaria a preservar a biodiversidade. Também falta a defi nição precisa dos limites de cada bioma ou ecossistema dentro do qual pode ocorrer a compensação. Se corrigida, a proposta de compensação poderá criar um mecanismo de mercado robusto, onde, pela primeira vez, áreas representativas do bioma original, contendo a biodiversidade original, teriam seu preço relacionado diretamente à rentabilidade das terras utilizadas para a atividade agropecuária.
O exemplo das discussões em torno do Código Florestal ilustra bem as tensões que o próximo presidente terá de enfrentar. O Brasil tem gerado muita riqueza explorando seus recursos naturais. Estamos crescendo mais aceleradamente, e isso é ótimo para milhões de brasileiros. Mas ainda não chegamos a um consenso sobre como e quanto preservar para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento. O Brasil tem tudo para chegar lá — mas a hora de decidir como fazer isso é agora.
Inovação e empreendedorismo foram os ingredientes do sucesso. Enquanto centros de pesquisa inovavam, agricultores transformavam inovação em riqueza. A agricultura migrou do Paraná para o cerrado, a pinga se transformou em etanol, que, transformado em polietileno, pode ser encontrado nas embalagens de refrigerantes.
O Brasil se tornou grande exportador de soja, açúcar, carne e suco de laranja — e muitos outros produtos se somarão à lista. Mas o sucesso não esconde os problemas a ser enfrentados.
O maior será equilibrar crescimento econômico e preservação do meio ambiente. Que fração do cerrado cobriremos com soja? Quantas hidrelétricas serão construídas na Amazônia? Quantos portos pipocarão ao longo da costa? Seremos capazes de conciliar o justo anseio de prosperidade com a necessária preservação dos ecossistemas?
Talvez o desafio mais agudo seja regular a expansão da agropecuária. Até hoje nenhuma sociedade foi capaz de conciliar a expansão de uma agricultura competitiva com a preservação ambiental. Na Europa, grande parte das florestas originais foi destruída.
Na América do Norte, quase toda a área agricultável já é explorada. A biodiversidade dessas regiões foi destruída num período em que ninguém pensava em políticas de preservação. O dilema e o ônus moral de conciliar conservação e produção de alimentos foram relegados a países capazes de produzir alimentos de forma competitiva.
Europeus e americanos não lidam com o problema de ter uma Amazônia pressionada por uma fronteira agrícola em constante movimento. Mas nós temos. Nossa agricultura está se expandindo durante o período histórico em que o homem descobriu a necessidade de preservar o meio ambiente.
Na procura do equilíbrio, teremos de abandonar duas visões igualmente radicais. A primeira é a que nega o problema ambiental, por preconceito ou esperteza. Muitos defendem, abertamente ou não, que a questão da preservação é secundária diante da oportunidade de progresso gerada pela crescente demanda internacional por nossos produtos.
O meio ambiente, nessa lógica, pode esperar. No polo radical oposto, temos a defesa romântica da natureza, buscando um passado que não existe mais.
Talvez o melhor exemplo dessa tensão seja a atual discussão em torno do Código Florestal, legislação que regula a expansão agropecuária. A lei é um dos pilares da preservação dos ecossistemas terrestres, pois regulamenta a fração e a localização da vegetação nativa que pode ser removida e substituída
pela agropecuária. Regula a ocupação do território, excluindo apenas parques nacionais, reservas indígenas e outras áreas protegidas. A versão original, de 1965, foi alterada diversas vezes. Uma nova versão está no Congresso e deve ser votada nos próximos meses.
Alguns ambientalistas tentam preservar a versão atual, que jamais foi cumprida, provocou o acúmulo de um enorme passivo ambiental e, pior, não protegeu a vegetação nativa ao longo das últimas quatro décadas. Parte do setor agroindustrial apoia o substitutivo que, na sua forma atual, tornará precária a possibilidade de preservação da vegetação nativa. Vale a pena entender um pouco as entranhas da lei.
Tanto na versão atual como no substitutivo existem duas classes de áreas que devem ser preservadas. A primeira são as áreas de proteção permanente (APPs), defi nidas pela geografi a de cada propriedade. São os corredores ao longo de rios, córregos e nascentes, áreas com alto declive e topos de morros. A segunda são as reservas legais, que independem da geografi a de cada propriedade e representam sempre uma fração fi xa da área. As reservas legais visam garantir que parte do ecossistema original seja preservada. A porcentagem da área a ser mantida como reserva legal é de 20% no sul do Brasil, chegando a 80% na Amazônia. A principal crítica ao sistema de reservas legais é que não existe um incentivo para o agrupamento das reservas em grandes blocos. É consenso entre ecologistas que a preservação da biodiversidade é mais efi ciente quanto mais extenso e contínuo for o bloco preservado. Em municípios onde predominam pequenas propriedades, as áreas de reserva legal (quando existem) constituem um salpicado de quadradinhos desconectados que pouco contribuem para a preservação do ecossistema original.
Reconstituição de matas
O princípio da lei parece correto. A separação das áreas em duas classes é uma inovação brasileira. Infelizmente, ao longo dos anos as diversas mudanças na lei, sua regulamentação desastrosa ou mal intencionada e a falta de fiscalização geraram um enorme défi cit de áreas de proteção e reservas legais. Para que as propriedades atuais se enquadrem na lei, grandes áreas produtivas teriam de ser restauradas ao seu estado original de vegetação.
Foi somente nos últimos anos que pesquisadores, utilizando dados de satélites, mapas de bacias hidrográfi cas, relevo e dados sobre a situação fundiária de cada município, conseguiram calcular o verdadeiro tamanho do déficit. Se uma propriedade deveria ter preservado 100 hectares de reserva legal e preservou somente 70 hectares, o défi cit é de 30 hectares. Um grupo de pesquisa da Embrapa, liderado por Gerd Sparovek, mapeou o problema em todo o país. Um bom exemplo é o bioma Mata Atlântica, que hoje só pode ser observado na Serra do Mar, mas cobria grande parte das áreas agrícolas de São Paulo e Paraná, quase 13% da área total.
do país. A área original do bioma foi estimada em 112 milhões de hectares. Hoje restam apenas 31 milhões de hectares de vegetação nativa. Os restantes 80 milhões estão ocupados por atividades agropecuárias. Só na Mata Atlântica, se aplicada a lei atual, há um déficit de APPs e reservas legais de 25 milhões de hectares. Áreas que deveriam ter sido preservadas, mas que, ao longo do tempo, foram incorporadas à produção agrícola. Para que a lei atual seja cumprida, as matas dessa área deveriam ser reconstituídas — uma área maior que a do estado do Ceará. Sparovek calculou que no Brasil o défi cit total de APPs é de 43 milhões de hectares, e o de reservas legais, 42 milhões. É o equivalente a quase duas vezes a área da Alemanha. Se essas estimativas estiverem corretas, por mais que desejem alguns ambientalistas, o défi cit jamais será sanado por meio do replantio de vegetação nativa.
Hora de decidir
Se a lei atual não tem conseguido equilibrar crescimento e preservação, a proposta ora em discussão no Congresso, de autoria do deputado Aldo Rebelo, também tem problemas, como a permissão de desmate para pequenas propriedades e a suspensão das autuações e multas por cinco anos. Ambas incentivam o desmatamento. Por outro lado, o substitutivo contém algumas boas ideias.
A principal é o conceito de compensação. Rebelo quer permitir que os défi cits de reserva legal sejam compensados por meio da proteção de áreas nativas distantes da propriedade original. Um proprietário que tenha acumulado um déficit de 100 hectares em sua propriedade poderia comprar ou alugar 100 hectares de florestas nativas e registrar esse bloco como sendo a reserva legal de sua propriedade.
A área não seria derrubada, mas poderia ser transmitida entre propriedades produtivas, criando um mercado para áreas com vegetação nativa. Imagine a consequência dessa medida na Mata Atlântica. Para cobrir o déficit de 9 milhões de hectares de reservas legais, as propriedades produtivas teriam a obrigação de comprar ou alugar o correspondente entre os 29 milhões de áreas com vegetação natural que ainda existem fora das reservas e terras indígenas. As propriedades agrícolas seriam responsáveis pela manutenção dessas matas para sempre.
O resultado seria a transferência de 9 milhões de hectares do conjunto de áreas passíveis de desmate para o pool de áreas preservadas permanentemente.
O que falta no substitutivo são mecanismos de incentivo econômico para que as reservas legais se agrupem em grandes áreas contíguas, o que ajudaria a preservar a biodiversidade. Também falta a defi nição precisa dos limites de cada bioma ou ecossistema dentro do qual pode ocorrer a compensação. Se corrigida, a proposta de compensação poderá criar um mecanismo de mercado robusto, onde, pela primeira vez, áreas representativas do bioma original, contendo a biodiversidade original, teriam seu preço relacionado diretamente à rentabilidade das terras utilizadas para a atividade agropecuária.
O exemplo das discussões em torno do Código Florestal ilustra bem as tensões que o próximo presidente terá de enfrentar. O Brasil tem gerado muita riqueza explorando seus recursos naturais. Estamos crescendo mais aceleradamente, e isso é ótimo para milhões de brasileiros. Mas ainda não chegamos a um consenso sobre como e quanto preservar para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento. O Brasil tem tudo para chegar lá — mas a hora de decidir como fazer isso é agora.
Japão quer cooperar com países que compartilham florestas da Amazônia.
Autoridade diz que o país propôs mais de R$ 25 bilhões de financiamento a vários países.
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| César Araújo/21.05.2010/AE A Amazônia está perdendo rapidamente suas árvores pelo desmatamento |
O governo do Japão tem interesse em atuar em conjunto com os países que dividem as florestas da Amazônia para reduzir os efeitos da mudança climática, disse nesta quinta-feira (21) Takehiro Kano, diretor da Divisão de Mudança Climática.
- Estamos interessados em trabalhar com os países latino-americanos que compartilham as florestas amazônicas. Acabamos de começar a fazê-lo.
A Amazônia tem uma extensão de 4,1 milhões de hectares, mas está perdendo rapidamente suas árvores pelo desmatamento. Kano explicou que na próxima terça-feira (26) na cidade japonesa de Nagoya, na Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Biodiversidade (COP10), serão analisados os diversos aspectos da associação com Papua Nova Guiné como parte do programa das Nações Unidas de Redução de Emissões Oriundas por Desmatamento e Degradação das Florestas (REDD, na sigla em inglês).
- Estamos interessados em trabalhar com os países latino-americanos que compartilham as florestas amazônicas. Acabamos de começar a fazê-lo.
A Amazônia tem uma extensão de 4,1 milhões de hectares, mas está perdendo rapidamente suas árvores pelo desmatamento. Kano explicou que na próxima terça-feira (26) na cidade japonesa de Nagoya, na Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Biodiversidade (COP10), serão analisados os diversos aspectos da associação com Papua Nova Guiné como parte do programa das Nações Unidas de Redução de Emissões Oriundas por Desmatamento e Degradação das Florestas (REDD, na sigla em inglês).
Por intermédio do REDD, com o apoio de países como o Japão e França, deverá começar no próximo ano a atuação no Brasil para a proteção das florestas, explicou Kano. O diretor da Divisão de Mudança Climática manifestou que o governo japonês espera que "Equador apoie o acordo de Copenhague para trabalhar com eles em alguma negociação".
Por outro lado, o funcionário japonês expressou que o Japão está disposto a apoiar a redução de danos e adaptação dos países vulneráveis à mudança climática, ao lembrar que propôs a chamada iniciativa Hatoyama, que envolve um financiamento equivalente a R$ 25,2 bilhões (US$ 15 bilhões) em três anos.
Durante a cúpula de Copenhague os representantes de 50 países acordaram elevar para R$ 6,7 bilhões (US$ 4 bilhões) o financiamento até 2012 do fundo mundial para impulsionar a recuperação de áreas afetadas pelo desmatamento em países em desenvolvimento.
A destruição florestal do planeta representa 20% das emissões anuais de carbono em nível mundial. Kano lembrou que o Protocolo de Kyoto em 1997 não inclui as emissões de gases poluentes de países emergentes, entre estes China, Índia, África do Sul, Brasil e México, que atualmente têm grande peso na economia do planeta.
- Nenhum desses países têm obrigações para reduzir ou mitigar a mudança climática.
Por outro lado, o funcionário japonês expressou que o Japão está disposto a apoiar a redução de danos e adaptação dos países vulneráveis à mudança climática, ao lembrar que propôs a chamada iniciativa Hatoyama, que envolve um financiamento equivalente a R$ 25,2 bilhões (US$ 15 bilhões) em três anos.
Durante a cúpula de Copenhague os representantes de 50 países acordaram elevar para R$ 6,7 bilhões (US$ 4 bilhões) o financiamento até 2012 do fundo mundial para impulsionar a recuperação de áreas afetadas pelo desmatamento em países em desenvolvimento.
A destruição florestal do planeta representa 20% das emissões anuais de carbono em nível mundial. Kano lembrou que o Protocolo de Kyoto em 1997 não inclui as emissões de gases poluentes de países emergentes, entre estes China, Índia, África do Sul, Brasil e México, que atualmente têm grande peso na economia do planeta.
- Nenhum desses países têm obrigações para reduzir ou mitigar a mudança climática.
Esse protocolo, criado em 1997 e que expira em 2012, começou a vigorar em 2005. Por meio do documento, 37 países industrializados e a União Europeia se comprometeram a reduzir em 5,2% as emissões de gases causadores do efeito estufa, considerados os responsáveis pelo aquecimento global, tomando por base o que foi emitido em 1990.
Kyoto é importante por ser o primeiro passo para um compromisso global de corte de emissões. O acordo previa metas para reduzir as emissões de países desenvolvidos, mas poupava os em desenvolvimento, como o Brasil, o que reduziu muito os seus efeitos. Além disso, os Estados Unidos não assinaram o protocolo, tornando-o um tanto ineficaz. O país emite 20% dos gases, a Europa 12% e o Japão 4%, mas China e a Índia já lançam 23% e 6%, respectivamente.
Kyoto é importante por ser o primeiro passo para um compromisso global de corte de emissões. O acordo previa metas para reduzir as emissões de países desenvolvidos, mas poupava os em desenvolvimento, como o Brasil, o que reduziu muito os seus efeitos. Além disso, os Estados Unidos não assinaram o protocolo, tornando-o um tanto ineficaz. O país emite 20% dos gases, a Europa 12% e o Japão 4%, mas China e a Índia já lançam 23% e 6%, respectivamente.
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